sexta-feira, 12 de outubro de 2018

PROFESSORA MARINEIDE E SUA RELAÇÃO COM OS IDEAIS DE NÍSIA FLORESTA


Autor: Luiz Carlos Freire

            O propósito de evocarmos nomes de personagens da história torna-se louvável - creio - quando o associamos ao presente. Quando interagimos o episódio ou a figura ilustre a fatos do hoje, ou a pessoas atuais, que têm alguma relação ao objeto aventado, a persona notável adquire visibilidade inteligente.
É com essa visão que, hoje, ao comemorarmos a data do aniversário de nascimento de Nísia Floresta Brasileira Augusta, lembro-me de Marineide Freire, ou melhor, a professora Marineide Freire, de Tororomba.

Tororomba, um pequeno distrito de Nísia Floresta, região metropolitana de Natal, distando-se 42 km dessa capital, possui quase tudo para impedir que seus nativos alcem voos, mas não foi assim para a professora Marineide Freire.
Algumas pessoas nascem e crescem sem se aperceber dos seus derredores. Muitas vezes a incapacidade de notar as diversas problemáticas sociais, na qual muitas vezes ela própria é vítima, torna-a um ser vegetativo, que passa a vida a contemplar das janelas as mesmices e os nadas. Sua vida é o seu quintal.
Conheci essa nisiaflorestense quando ela ainda não era universitária. Era uma pessoa alegre, comunicativa, extrovertida e agradável. Uma vez ela me procurou na EMYP para pedir algum material sobre a nossa Nísia. Disse que todos diziam que eu possuía informações mais substanciais sobre o assunto. Atendi-a de pronto e ficamos amigos, vamos dizer assim.
Certo dia ela contou-me, feliz, que estava cursando Artes na Universidade Potiguar (UNP). Como uma das minhas formações é nessa área, fiquei feliz e coloquei-me à disposição para o que ela precisasse em termos de livros ou alguma orientação. Até brinquei com Marineide, dizendo: “veja só, você buscou uma área na qual a nossa Nísia era mestra; ela era apaixonada pelas artes e as descrevia como se fosse uma artista de fato”. Ela quis saber porque eu disse aquilo e lá fomos nós mergulhar nos escritos de Nísia.
Os anos se passaram e ela findou desenvolvendo o seu estágio na EMYP. Foi uma excelente profissional. Cheia de ideias, sempre pedindo opinião, sonhando mil projetos... Logo ela se formou e integrou o quadro de professores municipais. Ao mesmo tempo associou-se ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Nísia Floresta, fundado pelo professor João Anastácio (salvo engano), tornando-se sua diretora.
Em pouco tempo ela evoluiu a olhos vistos. Muito consciente dos problemas sociais de seu município, muito interessada em mudar a realidade do marasmo e do ostracismo em que se encontrava a “terra do camarão”, enfim interessada em interferir no cenário. E, curiosamente, sempre ela me abordava, perguntando algo mais aprofundado sobre Nísia Floresta.
Certo dia surgiu na cidade uma emissora de rádio comunitária muito curiosa: a “Rádio Baobá”. Funcionava num moderno prédio construído pela escritora Angélica Timbó. A referida emissora tinha uma linha interessante. Todas as pessoas que chegavam ali, falavam. Óbvio que não era uma bagunça, como é de se supor. Tinha uma regra, mas era literalmente uma rádio popular. Todos os assuntos iam a público. E lá estava Marineide Freire engajada na “Rádio Baobá”, planejando mil coisas.
O tempo passava e a cada dia ela ampliava o seu rol de amigos, inclusive pessoas de outros municípios, com outras bagagens, enfim agigantavam os seus sonhos e horizontes. A cada ano ela dava um salto positivo enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto ser pensante e crítico.
Marineide Freire não era mais a pessoa olhando da janela e vendo as bananeiras em sucessivas safras. Ela se destacava assim como Nísia Floresta se destacou. Creio que a nossa Nísia exerceu nela uma forte inspiração. Sua inteligência fervilhava e ela não conseguia mais ficar parada.
Em pouco tempo Marineide Freire estava envolvida em tudo, reuniões disso, daquilo e daquilo outro, sempre de maneira destacada e com opinião própria. Não era muito amante dos poderosos. Isso se tornou claro desde o início. E pudera. Não combinava a uma personalidade tão esclarecida e insubmissa os moldes típicos tradicionais, ou seja, o formato autoritário dos que fazem o poder nas cidades interioranas. Isso é comum até mesmo nos lares, imagine no poder público. 
Uma vez ela me disse que não queria ser conduzida por lideres que tinham como principal objetivo podar as pessoas. Por isso negou dar as mãos aos tais. Era realmente uma mulher que passou a entender a liberdade na sua acepção plena. E só assim ela alçaria voos altaneiros lentamente.
Uma vez, num grande evento cujo nome da intelectual Nísia Floresta foi citado, ela pediu a palavra e disse “quem aqui conhecia Nísia Floresta antes de Luís Carlos Freire colocar os pés nessa em nossa cidade e inventar mil formas de falar dela? Tudo o que aprendi sobre Nísia Floresta devo a ele, tudo o que nós daqui sabemos, devemos a ele”.
Creio que houve certo exagero, mas aquilo me marcou muito pela gratidão, pelo respeito. Principalmente porque muitos fazem o contrário. Acredito que a construção do parecer que ela me deu decorreu exatamente pela multiplicidade de eventos que eu fazia sobre a nossa Nísia. E isso marcou-a. Creio.
Não me lembro exatamente o dia e o ano que ela deixou de voar, mas foi um dia cinza. Dia chuvoso e frio.
A notícia chegou-me com as mais variadas interpretações e até mesmo sentenças. O meu pai sempre disse que quando conhecemos verdadeiramente alguém o defendemos até o fim. Uma das sentenças criadas sobre o triste episódio chocou-me de tal forma que senti vontade de falar por ela.
É inacreditável como muitos de nossos semelhantes são capazes de aventar ficções absurdas sobre outrem, inclusive até “amigos” dela, pessoas que a conheciam há muito mais tempo que eu. E que deveriam tê-la defendido.
Já que falamos também de Nísia Floresta, cuja pessoa foi alvo das mais absurdas sentenças, Marineide Freire viveu o mesmo. Nísia Floresta não teve quem a defendesse em seu tempo, portanto eu não quis que isso se repetisse com aquela professora respeitável, cuja inteligência se abria como a mais perfumada das flores, defendendo a educação e a cultura, prometendo muito para a sociedade nisiaflorestense.
Durante a celebração da missa de encomenda de corpo, pedi a palavra e de maneira serena e consciente, falei por ela, defendendo a sua moral, a sua idoneidade, a sua respeitabilidade.
Hoje, passados tantos anos do episódio, resolvo soprar a poeira que encobre o seu nome e a sua história. E o faço para sensibilizar as novas gerações, para que elas se lembrem de valorizar as pessoas visionárias e abnegadas iguais a ela. E aprendam a proclamar apenas a verdade.
Talvez você pense. Mas o que ela tanto fez? O cerne da questão não é matemático. É reconhecermos o que ela pensava fazer por Nísia Floresta e não pôde, justamente no momento que mais estava pronta intelectualmente.
Mas na vida temos que estar prontos para tudo, e não cabe a nenhum ser humano julgar as demais pessoas envolvidas nessa história, pois quem sabe o seu vôo foi interrompido justamente pelos criacionismos, pelas ficções já tratadas nesse texto.
Enfim a nossa mestra se foi, mas embora pareça contraditório, PERMANECEU por sua história, cuja síntese pode ser resumida numa só palavra: CORAGEM. E coragem é para poucos, num cenário onde a maioria cede às hipocrisias. Boa parte quer o colo do Poder Público, ao invés de lutar contra suas mazelas e transformá-lo plenamente num veículo cidadão e de excelência, juntando-se às pessoas que possuem o mesmo espírito de Marineide e Nísia Floresta. É mais fácil ser igual.
E mais uma vez recordo Nísia Floresta, cuja síntese também era CORAGEM. Essa coragem está em falta em muitos panoramas brasileiros, pois parte considerável de seus atores sociais acha o bastante o uso de maquiagens sociais, alimentando o âmago dos poderosos a troco de meros centavos, mesmo vendo os descasos para com os mais diversos públicos. Principalmente o pobre. Marineide Freire, hoje, é exemplo, pois condenava engodos, e nunca se curvou a quem não se curvava aos pobres.

FONTE: http://nisiaflorestaporluiscarlosfreire.blogspot.com/


quarta-feira, 11 de abril de 2018

ELEIÇÃO DA DIRETORIA DO SINTE RN

Hoje pela manhã um grupo de educadores representando o Núcleo de Nísia Floresta composto pelo professores Rosenildo, Ivanilde, Conceição, Clélia, Marinete e o Coordenador  Josivaldo estiveram na assembleia geral do Sintern na ASSERN onde foi apresentada as chapas da Comissão eleitoral que ficará responsável pelo processo da eleição da diretoria da entidade. 

Passado a votação elegemos a chapa 1 com a maioria dos votos. Essa chapa composta por companheiros de luta q irá encaminhar todo processo da eleição 2018 como determina o Estatuto do Sintern e como consta no edital a eleição acontecerá dia 11 de junho. Logo teremos informações da organização do processo q ocorrerá em todos os municípios do Estado do RN. Parabenizamos a Comissão eleita e nós colocamos a disposição para colaborar com o processo.
A Coordenação do Sinte Nísia Floresta.





terça-feira, 27 de março de 2018

INFORMES:

Segundo informações da Secretária de educação do município o reajuste do Piso Salarial do magistério no valor de 6,81% será implantado na folha de março com retroativo do mês de janeiro e em abril o retroativo de fevereiro. A data de pagamento ainda não foi confirmada pelo Executivo municipal. Essa vitória se dar ao esforço e empenho da direção do Sinte Nísia Floresta e do Sintern através do Diretor de Comunicação Miguel Salustiano em cobrar do Prefeito desde janeiro a implantação desse reajuste. Depois de muita luta do Sinte junto ao Executivo o e Legislativo o projeto de Lei foi aprovado na Câmara municipal de Nísia Floresta no dia 03 de março.

 Diante a atual situação dos municípios que até o momento não tem pago o Piso Salarial e outros se encontram em greve, o município de Nísia Floresta apresentou essa informação que estamos no aguardo do pagamento. Com relação as demais pautas de reivindicações iremos discutir em audiência com o Prefeito em breve como também confirmou a Senhora Secretária de Educação. Os pontos são: Gratificações dos títulos dos educadores, mudança de nível, gestão democrática, deslocamento, disponibilidade do representante sindical e etc. Continuamos na luta em defesa dos nossos direitos.
A Coordenação Sinte Nísia Floresta

sexta-feira, 16 de março de 2018

Coordenador do Sinte Nísia Floresta representa o SINTERN no Fórum Social Mundial em Salvador.

Fórum Social Mundial é espaço de debates e encontro de culturas, diversidade étnias das Entidades de classe de mais de 130 países. Neste grave momento de retrocesso social, político e econômico, o fórum é de grande importância na luta da classe trabalhadora contra os avanços conservadores e neoliberais no Brasil e no Mundo.


















segunda-feira, 5 de março de 2018

Prefeito de Nísia Floresta/RN não cumpre a Lei e deixa Educadores indignados pela falta de respeito e valorização.


      Em janeiro deste ano, o SINTE Nísia Floresta oficiou e enviou para o município de Nísia Floresta a pauta emergencial dos/as Trabalhadores/as em Educação que reivindica: A implantação da correção de 6,81% do Piso Salarial, o pagamento do rateio do FUNDEF com relação aos 10% restante das parcelas anterior, cumprir o plano de carreira no que se refere atualização e enquadramento das promoções nos Níveis de Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado dos Profissionais do Magistério e licença prêmio para que sejam concedidas em tempo real/hábil para os/as professores/as em sala de aula, realizar a gestão democrática no município com instalação e funcionamento das comissões imediatamente tendo em vista a Meta 17 do PNE, formar uma comissão paritária envolvendo o SINTE e o executivo para a elaboração de um Projeto de Lei que regulamente o PCCR dos/as Funcionários/as de escola, nomeação da nova Comissão de Avaliação de desempenho dos Profissionais da Educação para discutir os novos critérios de avaliação, pontuação e também solicitamos uma audiência para deliberar esses pontos.

    Até o fechamento desse material não fomos comunicados de nenhuma agenda com o senhor Prefeito Daniel Marinho e a Senhora Secretária de Educação. Ou seja, já chegamos ao terceiro mês do ano e o gestor municipal se nega a receber a Entidade de classe que representa os/as Trabalhadores/as em Educação. Com essa atitude, ficam perguntas no ar: Será que teremos nossos direitos garantidos? Já as férias foram pagas em janeiro. Nada a comemorar, pois o gestor tão somente cumpriu com sua obrigação. Tais fatos gera uma profunda indignação e reação no sentido de resgatar a nossa conquista e o respeito merecido.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Não vai ocorrer votação do pacote de maldades nesta quinta-feira (11).

O governo Robinson  queria aprovar todo o pacote hoje. Porém, depois de muita tensão foi firmado um acordo para abrir a sessão legislativa e fechar sem votação. Os projetos serão enviados à Assembleia e possivelmente votados na próxima terça-feira, 16 de janeiro. 

O acordo consistiu em acordar que os manifestantes iriam permitir a entrada de 4 deputados para os procedimentos legislativos. Se não tivesse tido negociação, o exército iria usar a força para permitir a entrada dos deputados e a sessão ficaria aberta e tudo poderia ser votado até madrugada desta sexta (12). Dois representantes do Fórum dos Servidores entraram na AL para a acompanhar o desenrolar das negociações. 

Próxima semana o SINTE/RN e todo o Fórum dos Servidores vai mobilizar os trabalhadores. Temos que permanecer vigilantes e engajados! #SINTERN







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